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Thomas Isidore Noël Sankara

Foi um militar, revolucionário marxista, pan-africanista e líder político de Burkina Faso.


Assassinato: 15 de outubro de 1987, Uagadugu, Burkina Faso


Discurso de Thomas Sankara na ONU (trecho) Parte 1

Em 4 de outubro de 1984, Thomas Sankara falou na Assembleia Geral das Nações Unidas em nome de Burkina Faso. Estrato de seu discurso.

Senhor Presidente, Senhor Secretário-Geral, Ilustres representantes da comunidade internacional,

Venho a estes lugares trazer a salvação fraterna de um país de 274.000 km², onde sete milhões de crianças, mulheres e homens, agora se recusam a morrer de ignorância, fome e sede, embora não consigam viver verdadeiramente um quarto de um. século de existência como um estado soberano, sentado na ONU.

Venho a esta trigésima nona sessão para vos falar em nome de um povo que, na terra dos seus antepassados, optou doravante por se afirmar e assumir a sua história, nos seus aspectos positivos, como nestes aspectos negativos, sem complexo nenhum.

Finalmente, venho aqui, com o mandato do Conselho Nacional Revolucionário de Burkina Faso, para expressar as opiniões do meu povo sobre os problemas da agenda e que constituem a trágica rede de eventos que dolorosamente racha as fundações do mundo neste final do século XX.

Um mundo onde a humanidade se transforma em circo, dilacerada por lutas entre grandes e semigrandes, espancada por gangues armadas, submetida a violências e saques. Um mundo onde as nações, fugindo da jurisdição internacional, comandam grupos de fora-da-lei, vivem da pilhagem e organizam o tráfico desprezível, arma na mão.

Não pretendo aqui declarar dogmas. Eu não sou um messias nem um profeta. Eu não tenho nenhuma verdade. Minha única ambição é uma dupla aspiração: primeiro, ser capaz, em linguagem simples, da clareza e da clareza, de falar em nome do meu povo, o povo de Burkina Faso; em segundo lugar, para vir a exprimir também, à minha maneira, a palavra do «Grande povo dos deserdados», que pertencem a este mundo que foi travessamente batizado de Terceiro Mundo. E dizer, mesmo que eu não consiga fazer com que entendam, os motivos que temos para nos revoltar.

Tudo isto denota o nosso interesse pelas Nações Unidas, as exigências dos nossos direitos aí ganhando força e o rigor de uma consciência clara dos nossos deveres.

Ninguém se surpreenderá em nos ver associar o antigo Alto Volta - hoje Burkina Faso - a esse desprezível pega-tudo, o Terceiro Mundo, que outros mundos inventaram na época da independência formal para melhor garantir nossa capacidade intelectual, cultural, econômica e política. alienação.

Queremos entrar lá sem justificar esta gigantesca fraude da história. Muito menos aceitar ser "a vida após a morte de um Ocidente saciado". Mas para afirmar a consciência de pertencer a um todo tricontinental e admitir, como desalinhados e com a densidade das nossas convicções, que uma solidariedade especial une estes três continentes da Ásia, América Latina e Europa. África na mesma luta contra os mesmos traficantes políticos, os mesmos exploradores econômicos.

Thomas Sankara discursa com Fortíssimas críticas Atemporais na ONU.


"Camaradas, não há verdadeira revolução social sem a libertação das mulheres. Que meus olhos nunca vejam e meus pés nunca me levem a uma sociedade onde metade das pessoas são mantidas em silêncio. Eu ouço o rugido do silêncio das mulheres. Sinto o estrondo da tempestade deles e sinto a fúria da revolta deles."

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