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Quando iniciamos esta construção em 06 de outubro de 2020, sabíamos dos enormes desafios que teríamos pela frente, o primeiro e grande desafio seria desvincular desta construção política ideologias legitimas como “direita, esquerda e centro” legitimas, mas que não tem nada a ver com o PEP, sabíamos desde o início que esta pergunta seria um marco em nossa caminhada. Por outro lado tínhamos sobre os ombros a plena consciência que esta construção não  se tratava apenas de mais uma organização política, estávamos para além disto, tratava-se de uma ferramenta poderosa de emancipação de um povo, nestes moldes a primeira organização política construída no mundo fora da África que coloca ela (África) como centralidade da construção, a primeira organização política que tem como objetivo a “afrocentricidade” assim colocado pretas/pretos no epicentro da organização política, dando a eles/elas poder de decisão.

“...precisamos entender que estamos nesta diáspora a mais de 520 anos, mas esta analise  não pode ser feita apenas desta maneira superficial, primeiro ´precisamos entender que em qualquer lugar do mundo um judeu será sempre um judeu, um japonês será sempre um japonês, a comunidade alemã será sempre a comunidade alemã, mas aqui um negro é um afrodescendente, isto se da pelo processo de apagamento histórico de nossas verdadeiras origens, quando um povo esquece suas origens (sua raiz) então ele se torna qualquer povo...”

Ronaldo Arruda

Partindo desta logica, o partido de expressão popular (tendo como única ideologia) o pan-africanismo, que nós, não somos qualquer povo, mas somos africanas e africanos da diáspora.

“Todas as pessoas de ascendência africana, sejam da América do Norte ou do Sul, do Caribe ou de qualquer parte do mundo, são africanas e pertencem à nação africana.”

Kwame Nkrumah

Em alguns meses fomos surpreendidos, tivemos a honra e o prazer de sermos lançados pelas mãos do escritor e ativista social em Angola por Celso Salles, no seu quarto livro com título “Quem Planta Tâmaras, Não Colhe Tâmaras” nele ele descreve com maestria o que somente os grandes escritores tem, mas com o olhar aguçado de ativista social que entende a importância e urgência de pretos se organizarem politicamente. Desta maneira queremos aqui registrar em público nossos sinceros agradecimentos ao irmão, ao mesmo tempo queremos reafirmar que este projeto coletivo significa mais que uma simples organização política partidária, queremos construir uma nação forte, justa e igualitária onde somente será possível quando “pretos” africanas e africanos da diáspora estiverem na centralidade do poder político.

Todavia não buscamos nem queremos o poder de forma individualista e nem para uma bolha social ou étnica, quando falamos de poder compreendemos que a mais de 130 anos após a Abolição pretos, indígenas e quilombolas foram historicamente expurgados do centro de decisão política e de tomadas de decisões.

Assistimos na plateia políticas publicas sendo desenvolvidas como espécie de migalhas ou cala a boca a grande massa da população, o que isto significa?

O significado disso é simples, os 33 partidos constituídos no Brasil fazem da população preta e periférica trampolim para eleição dos seus mandatários, sempre buscando em vossas direções partidárias a eleição de uma supremacia branca. Prova disto está a construção das eleições de 2022, em qual partido destes 33 pretos, indígenas e quilombolas(nomes) estão sendo cogitados para a presidência da república?

Porém assistiremos partidos de esquerda ,direita e centro usufruindo muitos navegando nas mazelas socioeconômicas do povo preto ,periférico, indígena e quilombolas com estratégia politica para obter o poder, mas esta construção de emancipação compreende que quando falamos que África esta no centro da nossa construção ,quando falamos que não somos ou melhor não carregamos ideologias políticas da tradicional politica imposta no Brasil isto se dá a consciência politica de africanas e africanos desta diáspora em não aceitarem mais serem usados ,manipulados e por fim esquecidos.

 “Liberdade não é algo que um povo pode conceder a outro como um presente. Eles afirmam que são seus e ninguém pode esconder isso deles.”

Kwame Nkrumah

 

Exatamente por tudo isto, hoje entendemos que este país (Brasil) mas não apenas este país tem um problema, o problema deste país também é o nosso problema, temos um problema em comum, este país não nós quer aqui; isto fica evidenciado quando temos uma necropolítica em curso sendo institucionalizada e naturalizada pela sociedade. E se temos um problema, então queremos resolver este problema, vamos fazer parte do cenário político com os nossos princípios, com a nossa visão de mundo e civilização pois somente assim teremos o gozo de uma democracia forte e saudável.

 

“Queremos uma África forte, uma África para os africanos”

Ronaldo Arruda

Att. 

Ronaldo Arruda

Idealizador do Partido de Expressão Popular 

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