Nossa Forma de Pensar!

Qual a diferença entre um partido político convencional e uma ferramenta de emancipação, você sabe dizer? Mas antes que você resposta está pergunta, você já pensou na diferença entre igualdade e emancipação?

Porém minha missão aqui não lhe confundir, mas sim lhe provocar a refletir.

Por isso vamos começar está reflexão compreendendo o significado destas nomenclaturas.

Igualdade significa segundo o dicionário:

 

  • fato de não apresentar diferença quantitativa.

  • fato de não se apresentar diferença de qualidade ou valor, ou de, numa comparação, mostrarem-se as mesmas proporções, dimensões, naturezas, aparências, intensidades; uniformidade; paridade; estabilidade.

Emancipação segundo o dicionário significa:

libertação; alforria, independência.

 

Agora que sabemos os significados, vem a provocação o que você deseja; ser igual ou livre?

 

Sou Ronaldo Arruda Keula, historiador, cientista político e por ativista político, eu sempre me fiz está pergunta; ser livre ou igual. Demorei muito tempo para entender o real significado destas perguntas, porém enquanto me questionava fui contribuindo para eleger vários candidatos, sempre observando os modos operantes destes partidos, finalmente cheguei encontrei a resposta; enquanto eu é os que pensam como estamos atrás da igualdade, os partidos políticos nós manipula para terem poder, sempre elegendo suas bolhas partidárias, usando nossas pautas, os movimentos sócias como trampolim para se manterem lá e nós, bem nós sempre enxugando gela, patinando sem sair do lugar, ficando feliz com as migalhas que cai da mesa deles. Então tomei a decisão mais importante da minha vida, sentar e usar o que tantos partidos usavam de mim, a minha inteligência para idealizar um projeto de emancipação, que se torna-se uma ferramenta poderosa que fosse capaz de me libertar, mas que fosse uma liberdade UBUNTU, onde o povo preto também fosse liberto.

"Libere a mente dos homens e, finalmente, você libertará os corpos dos homens."

Marcus Mosiah Garvey

 

Não foi fácil, nada fácil.

Alguns anos estudando a legislação, finalmente o Partido de Expressão Popular nasce, sua documentação fica pronta para ser apresentada ao povo.

Mas após apresentar, veio outro questionamento, o mesmo que fiz logo no início; qual a diferença do Partido de Expressão Popular, para os 33 partidos constituídos hoje no Brasil?

 

Está resposta nunca foi tão fácil para dar...

A diferença está exatamente na forma que pensamos, está em nossa ideologia partidária.

 

"Nós não temos nenhuma intenção de nos deixarmos guiar por qualquer por qualquer que seja a ideologia, nós temos nossa própria ideologia, uma ideologia forte e nobre, que é a reafirmação da personalidade africana"

Patrice Lumumba   

Por isso está construção está baseada em seis (06) pilares fundamentais, são estes pilares de sustentação estrutural que formamos toda documentação partidária, além dela ser o norte para formação de fundadores (as) do PEP, mas está estrutura ideológica e filosófica será sempre o norteador na busca de políticas públicas afirmativas propostas por esta organização partidária em construção.

1. Afrocentrismo, de Afro = África, Centrismo = Centro, ou seja, centrismo, uma abordagem filosófica centrada na História na qual se coloca a África no centro de tudo. Todas as evidências, visões e percepções na qual se pretende abordar o mundo, a perspectiva do sujeito tem como a África o seu ponto de partida. Na verdade, o afrocentrismo justifica a sua visão na perspectiva de que a África é o ponto de partida de quase todas as realizações humanas. Pensadores e pesquisadores como Dr. Jonh Henrik Ckarke, Cheikh Anta Diop, Johacannan, tendem a ter uma perspectiva voltada ao Afrocentrismo pese embora destes não assumirem esta perspectiva na sua totalidade;

2. Afrocentricidade, como defende Molefi Kete Asante (2008) é um modo de pensamento e ação na qual predomina a centralidade dos interesses, valores e perspectivas africanas. É a colocação do povo Africano no centro de qualquer análise dos fenômenos africanos. A afrocentricidade procura e busca sacralizar a ideia de que a própria negrura é um tipo de ética. Pensadores como Molefi Kete Asante, Marimba Ani, Chinweizu, Mucale, Theophillle Obenga, etc..defendem esta perspectiva.

3. Panafricanismo é uma ideologia política social, centrada na História e nas culturas Africanas que reivindica e defende os direitos dos povos Africanos serem livres e independentes diante das forças que destruiram as civilizações Africanas. O Panafricanismo parte logo de princípio na crença de que todos os povos Africanos partilham a mesma história de atrocidades e devem aprender com esta história da escravidão para se unirem em prol de uma causa comum: a União da África. O Panafricanismo apela à unidade e ao mesmo tempo representa uma ruptura com a geopolítica Ocidental para implementar a Geopolítica Africana na qual os Africanos devem ser donos do seu próprio destino. Os Africanos devem ditar as suas próprias regras a nível da política internacional. Os criadores e promotores desta ideologia, são Blyden, Booker Washington, William  Dubois, Marcus Garvey, Kwame Nkrumah, Patrice Lumumba, Steve Biko, Amílcar Cabral, Frantz Fanon,  etc...

4. Cosmocentralidade Africana tem a ver com as concepções espirituais Africanas, mitologias, ancestralidade, crenças religiosas e valores culturais Africanos. Cosmocentralidade Africana parte logo de princípio que as tradições religiosas Africanas são importantes na formação do pensamento religioso espiritual da Mulher e do Homem Africano. Sendo que o seu ponto de partida consiste em explicar a origem do mundo e do Universo dentro das mitologias Africanas. A cosmologia Africana se encontra no centro da abordagem e da explicação da origem das espécies e dos humanos. Os grandes defensores desta ideologia são, Marimba Ani, Subunfo Some, Beniste, Malomalo, Sweet, Amadou Hampate Ba, Kizerbo, Filipe A. Vidal etc..

5. Mulherismo Africano, é uma perspectiva filosófica e teórica centrado na História dos Africanos em especial a das mulheres africanas que para além de serem as verdadeiras construtoras das nações e civilizações africanas no âmbito político-social apresenta-se como uma arma de combate ao sistema colonial racista e ao sistema Racista patricalista estruturado nas Instituições actuais que continuam a proliferar a visão negativa da Mulher Africana e do Homem Africano. O Mulherismo é uma perspectiva filosófica prática Afrocentrica que localiza as mulheres Africanas e os Africanos em todos os segmentos sociais e em todas as fases da História da Humanidade para que estas duas pessoas tenham a África como o seu principal compromisso na construção das suas nações. Mulherismo Africano defende que as mulheres Africanas são livres e não precisam de nenhuma  ideologia eurocêntrica ou outras para se sentirem livres, precisam da sua própria experiência histórica Africana  para se elevarem como seres humanos que passaram por todas as atrocidades e continuam vencer graças a força dos seus antepassados homens e mulheres.

A principal fonte de inspiração do Mulherismo Africano é a realidade dos factos históricos na qual muitas mulheres Africanas lutaram contra o sistema do Racismo Europeu tanto das mulheres brancas e dos Homens brancos que destruíram as nações Africanas construídas por Mulheres e Homens Africanos.

O Mulherismo defende valores espirituais Africanos, o respeito, a partilha, a solidariedade, o alambamento, o matriarcado, o Ubuntu, Imoshi, acima de tudo coloca a mulher no centro e no processo pedagógico da formação dos Homens e Mulheres Africanas. O Mulherismo se apresenta como uma forma de Reafricanizacao das mulheres e dos homens Africanos. Tem como os seus principais defensores, Nah Dorothy Dove, Cleonora Hudson-Weems, Amadiume, Kolawole, Teresa Cabari, Eva André...etc.

6. Afrocracia, é uma perspectiva teórica prática social centrada no Panafricanismo que tem como o principal objetivo proliferar as ideias do Panafricanismo no sentido de se repensar a África politicamente e culturalmente, combater todas as formas organizadas do sistema Racista na vida dos Africanos. Afrocracia enquanto perspectiva ramificada no Panafricanismo tem o seu principal foco restaurar os valores africanos que dignificam a pessoa do Africano, elevar a cultura e promover a cidadania dentro de um ativismo revolucionário para se mudar o paradigma cultural e social.

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Kwame Ture faz uma analise sobre a diferença entre Revolução e Reforma, partido da sua analise o Partido de Expressão Popular se posiciona a favor da revolução, não queremos fingir fazer "algo" queremos mudanças estruturais reais.

Sou Ronaldo Arruda Keula, historiador, cientista político, panafricanista e muito honrado por ser ferramenta de idealização do Partido de Expressão Popular. Mas antes quero deixar meus agradecimentos primeiramente aos meus ancestrais; está luta é a continuidade da luta por "liberdade" que mulheres pretas e homens pretas começaram bem antes de mim. Agradeço a Malcolm X (in memoria) por me ensinar o real sentido da revolução preta.  Agradeço a todas e todos que compreendem este projeto, e entendem que nenhum protagonismo nele me pertence, não posso ser protagonista enquanto o meu povo morre a cada 23 minutos.